Tudo o que você precisa saber sobre a obesidade e emagrecimento: causas, riscos e tratamento
- Daniela Marques Atkinson

- 3 de set. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 21 de set. de 2025
Guia completo sobre obesidade e emagrecimento: descubra por que emagrecer é difícil, quais riscos essa condição traz e como funciona o tratamento.

Muita gente acredita que emagrecer é apenas uma questão de “força de vontade”, mas quem já tentou sabe que não é nada simples. A obesidade é uma condição complexa, influenciada por fatores biológicos, hormonais, emocionais, sociais e culturais.
Como endocrinologista, acompanho diariamente pacientes que chegam frustrados por não conseguirem perder peso, mesmo fazendo dietas restritivas ou tentando sozinhos. O que muitos não sabem é que a obesidade é uma doença crônica, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, e que existem caminhos seguros e eficazes para tratá-la.
Neste artigo, você vai entender o que é obesidade, por que emagrecer é difícil, quais os riscos de não tratar e como procurar ajuda médica especializada.
O que é obesidade e como pode ser definida?
A obesidade é definida pelo excesso de gordura corporal que pode trazer prejuízos à saúde. Na prática clínica, utilizamos o IMC (Índice de Massa Corporal) como parâmetro inicial: quando está acima de 30, já consideramos obesidade.
Mas não é apenas o número na balança ou IMC que importa. Dois pacientes podem ter o mesmo peso e estatura e apresentar riscos diferentes, dependendo da distribuição da gordura corporal e de outros fatores metabólicos. O acúmulo de gordura abdominal, por exemplo, está mais associado a complicações como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.
Por isso, é fundamental uma avaliação individualizada. Exames como a bioimpedanciometria ajudam a diferenciar massa magra de gordura corporal, permitindo identificar padrões de risco de forma mais completa e acompanhar a evolução de maneira mais precisa
Por que emagrecer é difícil?
Se emagrecer fosse apenas “fechar a boca”, não existiriam tantas pessoas lutando contra o peso. Na realidade, o corpo humano foi programado para resistir à perda de peso.
O excesso de gordura corporal provoca uma inflamação crônica de baixo grau que atinge inclusive o hipotálamo, região do cérebro responsável por regular a fome e a saciedade. Isso faz com que nosso cérebro nos “boicote”, diminuindo a saciedade e aumentando o apetite, com o objetivo de “nos defender” e retornar ao maior peso anterior.
Por isso, reduzir a obesidade a falta de força de vontade não faz sentido. Dizer a alguém com obesidade que basta “comer menos” é o mesmo que dizer a uma pessoa com miopia que “basta enxergar melhor”: não depende apenas de esforço, depende de tratamento adequado.
Alguns dos fatores que dificultam o emagrecimento:
Genética: tendência familiar para acumular gordura.
Metabolismo: cada pessoa queima calorias em ritmo diferente, e o corpo pode reagir ao emagrecimento diminuindo o gasto de energia.
Hormônios: alterações hormonais podem interferir diretamente no peso, como nas disfunções da tireoide (reduzem o metabolismo), na menopausa (favorece acúmulo de gordura abdominal) e na resistência insulínica (geralmente consequência da obesidade, em que o excesso de insulina estimula o armazenamento de gordura e dificulta sua queima).
Ambiente: rotina corrida, excesso de alimentos ultraprocessados, estresse e falta de sono.
Social: encontros, festas e situações de convivência que giram em torno da comida e bebida, tornando mais difícil manter hábitos saudáveis de forma contínua.
Emoções: ansiedade, compulsão alimentar e a relação afetiva com a comida e bebida alcoólica.
Diante de tantos fatores, fica claro que a obesidade não é apenas uma questão de esforço pessoal. Em muitos casos, o tratamento medicamentoso faz parte do cuidado, assim como acontece em outras doenças crônicas como diabetes e hipertensão. Esses medicamentos não devem ser vistos como “atalhos” ou “fraqueza”, mas como ferramentas seguras e eficazes para ajudar o corpo a recuperar seus mecanismos naturais de controle de peso.
Ou seja: não é fraqueza ou preguiça. É uma condição multifatorial que precisa de acompanhamento médico e, muitas vezes, do suporte de tratamentos modernos.
Obesidade: por que é considerada uma doença crônica?
A obesidade é classificada como doença crônica porque afeta o organismo de forma contínua e exige tratamento a longo prazo.
Assim como a hipertensão e o diabetes, não existe “cura definitiva”, mas sim controle eficaz. Isso significa que, mesmo após emagrecer, a pessoa precisa manter cuidados para evitar o reganho de peso.
É por isso que falamos que a obesidade não tem cura, mas pode (e deve) ser tratada com segurança e acompanhamento.
O que a obesidade pode causar?
A obesidade não é apenas uma questão estética. Ela pode trazer consequências sérias, como:
Diabetes tipo 2
Hipertensão arterial e doenças cardiovasculares
Apneia do sono
Problemas nas articulações (joelhos, quadris, coluna)
Síndrome dos ovários policísticos (em mulheres)
Desequilíbrios hormonais: queda da testosterona nos homens, irregularidade menstrual nas mulheres e alterações nos hormônios que regulam fome e saciedade
Dificuldade para engravidar: tanto em mulheres (pela alteração da ovulação) quanto em homens (pela queda de testosterona e impacto nos espermatozoides)
Esteatose hepática (fígado gorduroso): acúmulo de gordura no fígado que, no início, pode não causar sintomas, mas que ao longo do tempo pode evoluir para inflamação, cirrose e até câncer de fígado se não for tratada.
Maior risco de alguns tipos de câncer, incluindo: mama (pós-menopausa), endométrio, cólon e reto, rim, esôfago (adenocarcinoma), fígado e pâncreas
Impacto na autoestima, depressão e ansiedade
Essas complicações mostram porque a obesidade precisa ser encarada com seriedade: tratar é investir em qualidade e expectativa de vida.
Como tratar a obesidade?
O tratamento deve ser individualizado e multidisciplinar. Entre as opções, estão:
Mudanças no estilo de vida: reeducação alimentar, prática de atividade física, melhora do sono e manejo do estresse.
Medicamentos: quando indicados pelo médico, podem ajudar no controle do apetite, na resistência insulínica e no metabolismo. Atualmente já dispomos de medicações modernas que, além de facilitar a perda de peso, também oferecem benefícios adicionais importantes, como proteção cardiovascular, proteção renal e melhora da resistência insulínica. Esses avanços tornam o tratamento da obesidade mais eficaz e seguro, especialmente para pacientes que também têm diabetes ou fatores de risco associados.
Cirurgia bariátrica: opção em casos de obesidade grave ou quando outros métodos não funcionaram.
Importante: não existe fórmula mágica nem emagrecimento rápido sustentável. Cada corpo responde de uma forma, e os melhores resultados vêm de um acompanhamento contínuo.
Quem trata obesidade? Qual médico procurar para emagrecimento?
A obesidade deve ser acompanhada por um endocrinologista, médico especialista em hormônios e metabolismo.
Mas o tratamento ideal envolve também uma equipe multidisciplinar, que pode incluir:
Nutricionista – para orientar a alimentação de forma prática.
Psicólogo e/ou psiquiatra – para lidar com a relação afetiva com a comida.
Educador físico – para orientar atividades adaptadas à realidade do paciente.
Portanto, se você tem dificuldade para emagrecer ou já recebeu diagnóstico de obesidade, o primeiro passo é procurar um endocrinologista.
O que acontece se a obesidade não for tratada?
Quando não é tratada, a obesidade tende a progredir com o tempo. Isso significa:
Aumento do risco de doenças crônicas.
Redução da qualidade de vida.
Dificuldades emocionais e sociais.
Menor expectativa de vida.
Ou seja, ignorar o problema só aumenta as consequências. Procurar tratamento cedo faz toda a diferença.
Conclusão
A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial. Não existe fórmula milagrosa, mas existe tratamento eficaz quando feito com acompanhamento médico.
Se você se identificou com este conteúdo, saiba que não precisa enfrentar isso sozinho. Um primeiro passo pode ser agendar uma consulta com um especialista para entender seu caso e receber uma orientação personalizada.
Dra. Daniela Marques Atkinson
Médica Endocrinologista e Metabologista
CRM 28824 | RQE 21349
Especialista em Saúde Hormonal e Metabólica
Atendimento em Lajeado/RS

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