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Principais dúvidas sobre Terapia Hormonal na Menopausa

Atualizado: há 20 horas

A Terapia Hormonal da Menopausa ainda é um assunto cercado por muitas dúvidas. Ela engorda? Aumenta o risco de câncer de mama? Toda mulher deveria fazer? Existe uma idade certa para começar?

Algumas dessas dúvidas têm relação com estudos publicados há mais de 20 anos, que tiveram grande repercussão e influenciaram por muito tempo a forma como a terapia hormonal foi vista. Com o passar dos anos, novas análises e novos estudos ajudaram a compreender melhor seus benefícios e riscos e, principalmente, que eles não são iguais para todas as mulheres.


Por isso, mais importante do que considerar a terapia hormonal simplesmente segura ou perigosa é entender quando ela pode ser indicada e como seus benefícios e riscos variam de acordo com cada caso.


A Terapia Hormonal da Menopausa (THM) é um dos tratamentos disponíveis para mulheres que apresentam determinados sintomas relacionados à transição menopausal. Para sintomas como ondas de calor e suores noturnos, é o tratamento mais eficaz disponível.


Isso não significa, porém, que toda mulher precise utilizá-la ou que a indicação seja igual em todos os casos. Idade, tempo desde a menopausa, sintomas, histórico de saúde, tipo de hormônio e via de administração fazem parte dessa decisão.


A seguir, vamos esclarecer algumas das dúvidas e crenças mais comuns sobre a Terapia Hormonal da Menopausa com base nas evidências científicas disponíveis.



Mito 1: “A Terapia Hormonal causa câncer de mama?”


Grande parte do medo relacionado à terapia hormonal e ao câncer de mama ganhou força após a publicação, há mais de 20 anos, de um grande estudo que teve enorme repercussão. Desde então, esses resultados foram reavaliados e novas evidências ajudaram a compreender melhor que nem toda terapia hormonal é igual.


O risco de câncer de mama não é o mesmo para todos os tipos de hormônios utilizados e também pode variar de acordo com fatores como o tempo de uso e o histórico de saúde de cada mulher. Por isso, não é adequado considerar que toda terapia hormonal tenha o mesmo efeito sobre esse risco.


Hoje, a decisão sobre terapia hormonal é individualizada e considera fatores como idade, tempo desde a menopausa, histórico de saúde e o tipo de hormônio utilizado.


Quer entender por que a interpretação sobre esse tema mudou ao longo dos anos? Leia: Terapia hormonal e câncer de mama: o que os estudos mostram.


Mito 2: “Toda mulher na menopausa deve fazer reposição hormonal?”


Não. A Terapia Hormonal da Menopausa não é necessária para todas as mulheres.

Sua indicação depende dos sintomas presentes, do impacto que eles têm na qualidade de vida, da idade, da fase da menopausa, do histórico de saúde e das preferências de cada mulher.


Existem também situações específicas, como a menopausa precoce, em que a terapia hormonal pode ser recomendada mesmo quando os sintomas não são importantes, porque a deficiência de estrogênio antes da idade habitual da menopausa pode ter repercussões para a saúde a longo prazo.


A terapia hormonal também contribui para prevenir a perda de massa óssea enquanto é utilizada.


A decisão deve sempre ser individualizada e compartilhada, considerando sintomas, idade da menopausa, riscos e benefícios de cada paciente.


Se você ainda tem dúvida sobre quando a Terapia Hormonal realmente é indicada, leia também o artigo Quando os sintomas da menopausa precisam de tratamento?



Mito 3: “A Terapia Hormonal engorda?”


A Terapia Hormonal não é considerada uma causa de ganho de peso.


O aumento de peso que muitas mulheres percebem nessa fase está relacionado a diferentes fatores, incluindo mudanças que acontecem com o envelhecimento.


A menopausa, por sua vez, está mais relacionada a mudanças na forma como a gordura se distribui pelo corpo, com tendência a um maior acúmulo de gordura na região abdominal.


Se esse é um dos seus principais incômodos, vale a pena ler também o artigo: Por que estou ganhando peso depois dos 40 anos?



Mito 4: “Toda THM aumenta risco de trombose?”


O risco de trombose depende, entre outros fatores, da via de administração do estrogênio e dos fatores de risco individuais de cada mulher.


O estrogênio utilizado por via oral aumenta o risco de trombose. Já o estradiol transdérmico, utilizado na forma de adesivo ou gel, apresenta menor risco quando comparado à via oral e, nos estudos disponíveis, não tem sido associado a aumento significativo de trombose em relação às mulheres que não utilizam terapia hormonal.


Por isso, a via transdérmica costuma ser preferida quando existem fatores que aumentam o risco de trombose. A escolha da via e do esquema de tratamento deve considerar o histórico clínico e os fatores de risco individuais de cada mulher.


Mito 5: “THM só serve para aliviar ondas de calor?”


Não. Embora a Terapia Hormonal seja o tratamento mais eficaz para ondas de calor e suores noturnos, seus benefícios não se limitam a esses sintomas.


Ela também previne a perda de massa óssea e reduz o risco de fraturas enquanto é utilizada, pode melhorar a qualidade do sono e é eficaz no tratamento de sintomas relacionados à deficiência de estrogênio, como secura e desconforto vaginal.


Algumas mulheres também percebem melhora de dores articulares durante o tratamento.


Existem estudos mostrando esse benefício, embora as evidências sejam menos consistentes do que para sintomas vasomotores e saúde óssea.


Ao melhorar diferentes sintomas da menopausa, a terapia hormonal também pode contribuir para uma melhora da qualidade de vida.


Isso não significa que todos esses sintomas sejam necessariamente causados pela menopausa ou que, isoladamente, sejam uma indicação para iniciar terapia hormonal. Os benefícios esperados e a indicação do tratamento precisam ser avaliados de forma individualizada.


Mito 6: “Posso iniciar Terapia Hormonal em qualquer idade?”


A idade e o tempo transcorrido desde a menopausa são importantes quando se avalia o momento de iniciar a Terapia Hormonal.


Para mulheres saudáveis e sintomáticas com menos de 60 anos ou que estão nos primeiros 10 anos após o início da menopausa, a relação entre benefícios e riscos de se iniciar a terapia hormonal sistêmica costuma ser mais favorável, desde que não existam contraindicações.


Quando a Terapia Hormonal é iniciada pela primeira vez após os 60 anos ou mais de 10 anos após o início da menopausa, a relação entre benefícios e riscos é diferente e a decisão exige uma avaliação mais cuidadosa e individualizada.


Essas recomendações sobre idade e tempo desde a menopausa se referem ao início da Terapia Hormonal. Elas não significam que uma mulher que começou o tratamento anteriormente precise interrompê-lo ao completar 60 ou 65 anos.


Não existe uma idade única em que toda mulher deva suspender a Terapia Hormonal. A continuidade do tratamento deve ser reavaliada ao longo do tempo, considerando os motivos para mantê-lo, os benefícios, o histórico de saúde e os riscos individuais.


Mito 7: “Terapia Hormonal na menopausa pode ser feita com implantes ou ‘chip da beleza?"


Os implantes hormonais, muitas vezes divulgados como “chips hormonais” ou “chips da beleza”, não fazem parte das formas de Terapia Hormonal da Menopausa recomendadas pelas principais sociedades médicas.


Até o momento, não existem evidências científicas suficientes que comprovem a eficácia e a segurança desses implantes para que sejam recomendados como forma de Terapia Hormonal da Menopausa. Os estudos que estabeleceram os benefícios e os riscos da terapia hormonal foram realizados com formulações e vias específicas, e seus resultados não podem ser simplesmente extrapolados para os implantes.


A gestrinona também não faz parte da Terapia Hormonal recomendada para a menopausa. Seu uso, inclusive em implantes, tem sido divulgado com diferentes finalidades, mas não há evidências adequadas de eficácia e segurança que respaldem seu uso como tratamento dos sintomas da menopausa.


Conclusão


Quando o assunto é Terapia Hormonal da Menopausa, é comum encontrar informações muito diferentes. Algumas destacam seus benefícios, outras enfatizam os riscos, e nem sempre é fácil saber o que realmente se aplica a cada mulher. Por isso, ter dúvidas ou receio sobre o tratamento é compreensível.


Essas dúvidas, porém, não precisam impedir você de procurar uma avaliação médica. Conversar sobre Terapia Hormonal não significa que você terá que iniciar o tratamento. A avaliação é justamente o momento de entender seus sintomas, esclarecer seus receios e conhecer as opções disponíveis.


A Terapia Hormonal não é necessária para todas as mulheres. Quando existe indicação, a decisão deve considerar seus sintomas, sua idade, a fase da menopausa, seu histórico de saúde, suas preferências e os possíveis benefícios e riscos do tratamento.


Se os sintomas da menopausa estão incomodando você, ou se você gostaria de saber se a Terapia Hormonal pode ser uma opção no seu caso, não é preciso ter certeza sobre o tratamento antes de procurar ajuda. Uma avaliação individualizada pode ajudar você a esclarecer suas dúvidas e decidir, com informação e segurança, o que faz sentido para você.


Se você está vivendo essa fase e gostaria de uma avaliação individualizada, clique abaixo para agendar sua consulta.




Dra. Daniela Marques Atkinson

Médica Endocrinologista e Metabologista

CRM 28824 | RQE 21349

Especialista em Saúde Hormonal e Metabólica

Atendimento em Lajeado/RS


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