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Mitos e Verdades sobre Terapia Hormonal na Menopausa

Atualizado: 5 de out. de 2025

Você já ouviu que a terapia hormonal causa câncer de mama ou que toda mulher precisa fazer reposição na menopausa? Esses são apenas alguns dos mitos que ainda geram medo e insegurança.



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A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, mas que pode trazer sintomas bastante incômodos: ondas de calor, alterações do sono, ganho de peso, secura vaginal, mudanças de humor, queda da libido. Para muitas mulheres, esses sintomas impactam diretamente a qualidade de vida.


A Terapia Hormonal na Menopausa (THM) é uma das estratégias mais eficazes para aliviar esses sintomas e promover bem-estar. Mas, ao mesmo tempo, ainda existem muitos mitos que geram medo e insegurança.


Neste artigo, vou esclarecer 7 mitos que ainda geram muitas dúvidas sobre a Terapia Hormonal na Menopausa, sempre com base em evidências científicas.



Mito 1: “A Terapia Hormonal causa câncer de mama”


A verdade é: O receio de que a Terapia Hormonal aumentaria muito o risco de câncer de mama veio de um grande estudo chamado Women’s Health Initiative (WHI), publicado no início dos anos 2000.


Naquele estudo, foram usados tipos de hormônios e doses diferentes das que utilizamos hoje. Mesmo assim, quando olhamos para os números absolutos, o risco adicional foi pequeno.


Se acompanharmos 1.000 mulheres, sem uso de hormônios, entre 50 e 59 anos durante 5 anos, em média 23 terão câncer de mama, simplesmente por serem mulheres nessa faixa etária. Entre as que fazem Terapia Hormonal combinada (estrogênio + progesterona), ocorre um acréscimo de apenas 4 casos adicionais, chegando a 27 em 1.000 mulheres.


Agora compare com fatores do dia a dia:

  • O consumo regular de duas taças de vinho ou espumante por dia acrescenta cerca de 5 casos adicionais.

  • O tabagismo acrescenta em média 3 casos adicionais.

  • O sobrepeso/obesidade acrescenta cerca de 24 casos adicionais.

  • Já a atividade física regular pode prevenir até 7 casos.


Em outras palavras: os dados do estudo WHI, de 2002, já mostravam que fatores como obesidade, consumo de álcool e sedentarismo têm impacto muito maior no risco de câncer de mama do que a Terapia Hormonal.


Além disso, os hormônios e doses utilizados naquele estudo não são os mesmos que usamos atualmente. Nas formulações modernas, como o estradiol transdérmico e a progesterona micronizada, os estudos mais recentes mostram que, quando bem indicada e acompanhada por médico, a reposição pode ser feita com segurança, trazendo benefícios que superam os riscos.



Mito 2: “Toda mulher na menopausa deve fazer reposição hormonal”


A verdade é: A Terapia Hormonal da Menopausa (THM) não é obrigatória.


Ela está indicada para mulheres com sintomas moderados a intensos que prejudicam a qualidade de vida, em casos de risco aumentado para osteoporose precoce e também para aquelas que entram em menopausa antes dos 45 anos, situação que aumenta o risco de problemas de saúde a longo prazo.


É verdade que alguns estudos mostram que, quando iniciada nos primeiros anos após a menopausa, a Terapia Hormonal pode estar associada a menor incidência de doenças cardiovasculares e até de diabetes tipo 2. Mas, atualmente, não há indicação de usar a THM com a finalidade de prevenção dessas doenças.


A decisão deve sempre ser individualizada e compartilhada, considerando sintomas, idade da menopausa, riscos e benefícios de cada paciente.



Mito 3: “A Terapia Hormonal engorda”


A verdade é: A THM não causa ganho de peso.


Na verdade, a tendência ao aumento de gordura abdominal e à perda de massa muscular acontece pela queda natural dos hormônios da menopausa, mesmo sem reposição.


A reposição, quando bem indicada, pode até ajudar a preservar a composição corporal, especialmente se associada a alimentação adequada e prática regular de atividade física.


Mito 4: “A THM aumenta muito o risco de trombose”


A verdade é: O risco depende da via de administração e dos fatores individuais da paciente.


O estrogênio oral pode aumentar discretamente o risco de trombose. Já o estrogênio transdérmico (adesivo ou gel) tem risco muito menor e é a escolha preferida em mulheres com maior risco cardiovascular.


Além disso, antes de indicar a Terapia Hormonal, avaliamos histórico familiar, exames e estilo de vida, o que torna a prescrição mais segura e personalizada.


Mito 5: “THM só serve para aliviar ondas de calor”


A verdade é: Os benefícios vão muito além das ondas de calor.


A Terapia Hormonal pode melhorar o sono, o humor, a saúde sexual e a densidade óssea.

Estudos sugerem até benefícios cardiovasculares quando iniciada na chamada “janela de oportunidade” (nos primeiros anos após a menopausa). Mas, mais uma vez, não indicamos a reposição com o objetivo exclusivo de prevenção.


O foco é sempre: alívio de sintomas + promoção de qualidade de vida, respeitando a individualidade de cada mulher.


Mito 6: “Posso iniciar Terapia Hormonal em qualquer idade”


A verdade é: A segurança e os benefícios da Terapia Hormonal dependem muito da fase em que ela é iniciada.


Os estudos mostram que existe uma “janela de oportunidade”: o momento ideal para começar a reposição é na perimenopausa (fase em que os ciclos menstruais começam a ficar irregulares) ou nos primeiros anos após a última menstruação.


Essa janela costuma se estender até cerca de 10 anos após a menopausa ou antes dos 60 anos de idade.


Quando a Terapia é iniciada nesse período, os benefícios são maiores — especialmente para alívio de sintomas, saúde óssea e até proteção cardiovascular em algumas mulheres.

Por outro lado, iniciar a reposição após muitos anos de menopausa pode trazer mais riscos do que benefícios, principalmente para o coração e a circulação.


Por isso, a avaliação médica é fundamental: a decisão sobre começar ou não a THM deve considerar sintomas, tempo de menopausa, idade, exames e histórico de saúde.


Mito 7: “Terapia Hormonal na menopausa se faz com implante, chip da beleza, gestrinona ou hormônios manipulados”


A verdade é: A Terapia Hormonal da Menopausa não deve ser confundida com implantes hormonais, “chip da beleza”, gestrinona ou fórmulas manipuladas.


Esses métodos têm sido muito divulgados nas redes sociais, mas não fazem parte das recomendações oficiais das sociedades médicas, pois faltam estudos robustos que comprovem sua segurança e eficácia a longo prazo.


A manipulação também não é recomendada, pois não há garantia de dose exata nem de qualidade padronizada, o que pode trazer riscos.


A Terapia Hormonal indicada para a menopausa é feita com estradiol e progesterona, preferencialmente em formulações bioidênticas, registradas e padronizadas, por via oral, transdérmica (adesivo ou gel) ou vaginal, sempre com prescrição médica individualizada.


Em outras palavras: a reposição hormonal feita de forma correta é segura, eficaz e baseada em evidências científicas, muito diferente dos implantes, chips e manipulações oferecidos como solução estética.

Conclusão


A Terapia Hormonal da Menopausa não é uma “vilã” nem uma solução única para todas as mulheres. Ela deve ser vista como uma ferramenta de cuidado, que, quando bem indicada e dentro da janela de oportunidade, pode transformar a qualidade de vida.


O fundamental é que a paciente receba informação clara, atualizada e baseada em ciência, para decidir junto com seu médico o que faz mais sentido para o seu caso.


No consultório, costumo avaliar cada paciente de forma individualizada, levando em conta sintomas, tempo de menopausa, histórico familiar e preferências pessoais.


Quando a Terapia Hormonal é indicada, explico com clareza todas as opções, as possíveis combinações de hormônios e as vias de uso, sempre priorizando formulações seguras, modernas e personalizadas.


Meu objetivo é que cada mulher atravesse essa fase com bem-estar, energia e qualidade de vida — entendendo que a menopausa pode ser uma etapa de autocuidado e redescoberta, e não de limitações.


Se você está vivendo a menopausa e tem dúvidas sobre a Terapia Hormonal, agende uma consulta. Vamos conversar e avaliar a melhor forma de cuidar da sua saúde nesta fase da vida.




Dra. Daniela Marques Atkinson

Médica Endocrinologista e Metabologista

CRM 28824 | RQE 21349

Especialista em Saúde Hormonal e Metabólica

Atendimento em Lajeado/RS


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