Menopausa e perimenopausa: quais são os sintomas e quando eles podem começar?
- Daniela Marques Atkinson

- 30 de ago. de 2025
- 6 min de leitura
Atualizado: há 8 horas
A transição para a menopausa nem sempre começa de uma forma fácil de reconhecer.
Algumas mulheres percebem mudanças no ciclo menstrual ou começam a ter ondas de calor. Outras notam primeiro que passaram a dormir pior, estão mais cansadas, irritadas, com dificuldade de concentração ou simplesmente sentem que não estão se sentindo como antes.
Nesse período é comum surgirem dúvidas: será que essas mudanças podem ter relação com a menopausa? É possível estar na perimenopausa mesmo continuando a menstruar? Preciso fazer exames? Existe tratamento?
A experiência dessa fase pode ser muito diferente de uma mulher para outra. Entender o que acontece durante a transição para a menopausa ajuda a reconhecer quais mudanças podem fazer parte desse período e quando vale a pena procurar avaliação.
Qual a diferença entre perimenopausa e menopausa?
Embora os termos sejam muitas vezes usados como sinônimos, perimenopausa e menopausa não significam a mesma coisa.
A menopausa é a data da última menstruação. No entanto, só podemos confirmar que aquela foi realmente a última quando a mulher completa 12 meses consecutivos sem menstruar, desde que não esteja utilizando métodos hormonais que interfiram no ciclo menstrual.
Na maioria das mulheres, a menopausa acontece entre os 45 e 55 anos, sendo a média em torno dos 51 anos.
Já a perimenopausa é o período de transição que acontece ao redor da menopausa e pode começar vários anos antes da última menstruação. Nessa fase, o funcionamento dos ovários se modifica e os níveis hormonais passam a apresentar oscilações imprevisíveis, que podem estar relacionadas ao surgimento de diferentes sintomas.
Durante a perimenopausa, a mulher ainda menstrua, e os ciclos podem permanecer regulares por algum tempo ou se tornar irregulares à medida que a transição avança. É nessa fase que podem surgir sintomas como ondas de calor, alterações do sono e do humor, entre outros. Por isso, muitas mulheres que dizem “acho que estou na menopausa” estão, na verdade, percebendo manifestações da perimenopausa.
Depois da menopausa, inicia-se a pós-menopausa. Alguns sintomas podem diminuir com o tempo, enquanto outros podem persistir nessa fase.
Quais sintomas podem aparecer na perimenopausa?
A perimenopausa pode ser muito diferente de uma mulher para outra. As mudanças no ciclo menstrual fazem parte dessa transição, mas os demais sintomas variam bastante. Algumas mulheres apresentam vários, enquanto outras têm poucos ou até nenhum. As ondas de calor estão entre os sintomas mais típicos, mas outros também podem ocorrer, como alterações no sono, no humor, na concentração, na disposição ou na vida sexual.
Entre as manifestações que podem ocorrer estão:
mudanças na duração dos ciclos ou no fluxo menstrual;
ondas de calor e suores noturnos;
piora do sono ou despertares noturnos;
alterações do humor, irritabilidade ou ansiedade;
dificuldade de concentração e pequenos esquecimentos;
cansaço ou redução da disposição;
mudanças no desejo sexual;
ressecamento vaginal, ardência ou irritação na região genital e desconforto ou dor durante as relações;
aumento da frequência ou urgência para urinar e infecções urinárias recorrentes;
dores musculares ou articulares;
piora ou mudança no padrão de dores de cabeça, especialmente em mulheres com enxaqueca.
Uma informação importante é que os sintomas geniturinários nem sempre são reconhecidos como relacionados à menopausa. A redução do estrogênio provoca mudanças nos tecidos da vulva, vagina, uretra e bexiga. Por isso, além do ressecamento vaginal e da dor nas relações, podem ocorrer ardência, irritação, maior frequência ou urgência urinária e infecções urinárias recorrentes.
Embora todas essas manifestações possam ocorrer durante a perimenopausa, elas não são exclusivas dessa fase e também podem ter outras explicações. Por isso, é importante avaliar o conjunto das mudanças percebidas por cada mulher e o contexto em que elas começaram.
Como saber se estou na perimenopausa?
Nem sempre existe um momento evidente em que a mulher percebe que entrou na perimenopausa. A avaliação considera a idade, as mudanças no ciclo menstrual, os sintomas presentes e como eles surgiram e evoluíram ao longo do tempo.
As dosagens hormonais nem sempre conseguem esclarecer essa dúvida. Durante a perimenopausa, os níveis hormonais apresentam oscilações imprevisíveis, e um exame realizado em um único momento pode não representar o que está acontecendo ao longo dos meses. Por isso, na faixa etária em que essa transição costuma acontecer, a história clínica muitas vezes é mais informativa do que uma dosagem hormonal isolada.
Isso não significa que exames não sejam importantes. Dependendo dos sintomas, da idade, do histórico de saúde e dos fatores de risco, outros exames podem fazer parte da avaliação, tanto para investigar outras possíveis causas dos sintomas quanto para avaliar outros aspectos importantes da saúde nessa fase.
Quais são as opções de tratamento para os sintomas da perimenopausa e menopausa?
Quando os sintomas incomodam ou afetam a qualidade de vida, existem diferentes possibilidades de tratamento. A escolha depende dos sintomas, do histórico de saúde e das preferências de cada mulher.
Se a sua principal dúvida é saber quando considerar um tratamento, leia também o artigo Quando os sintomas da menopausa precisam de tratamento?.
Entre as possibilidades estão a Terapia Hormonal da Menopausa, tratamentos não hormonais e tratamentos específicos para sintomas vaginais e urinários.
Terapia hormonal da menopausa (THM)
A Terapia Hormonal da Menopausa é o tratamento mais eficaz para ondas de calor e suores noturnos, mas seus benefícios não se limitam a esses sintomas. Alterações do sono, alguns sintomas de humor e dores musculares e articulares também podem melhorar com o tratamento quando estão relacionadas à transição menopausal. Além disso, a terapia hormonal ajuda a prevenir a perda de massa óssea enquanto é utilizada.
Quando existe indicação, a Terapia Hormonal pode ser iniciada ainda durante a perimenopausa. Ou seja, não é necessário esperar que a mulher pare de menstruar para começar o tratamento. A decisão sobre quando iniciar e qual tratamento utilizar deve considerar os sintomas, o histórico de saúde e as características de cada mulher.
Se você tem dúvidas ou receio sobre esse tratamento, leia também o artigo Principais dúvidas sobre Terapia Hormonal na Menopausa.
Tratamentos não hormonais
Além da Terapia Hormonal da Menopausa, existem tratamentos não hormonais para alguns dos sintomas dessa fase. Eles podem ser uma opção quando a mulher não pode ou não deseja utilizar a terapia hormonal ou de acordo com os sintomas que apresenta.
Tratamentos para sintomas vaginais e urinários
Sintomas como ressecamento vaginal, ardência, dor nas relações e alterações urinárias também têm tratamentos específicos. Dependendo dos sintomas e de cada caso, podem ser utilizados tratamentos locais hormonais ou não hormonais.
Cuidados com a saúde durante a transição menopausal e após a menopausa
A transição para a menopausa também acontece em uma fase da vida em que alguns cuidados com a saúde passam a ganhar maior importância.
A redução dos níveis de estrogênio contribui para uma perda mais acelerada de massa óssea, tornando a atenção à saúde dos ossos especialmente importante nessa fase.
Além disso, podem ocorrer mudanças na composição corporal e no metabolismo durante a transição menopausal. Nessa fase da vida, a predisposição genética, os hábitos de vida e outros fatores individuais também podem contribuir para o surgimento de alterações como aumento do colesterol, pressão alta e alterações da glicose.
Por isso, o acompanhamento nessa fase não deve se limitar aos sintomas da menopausa ou às dosagens hormonais. É também um momento importante para olhar de forma mais ampla para a saúde da mulher. De acordo com a idade, o histórico de saúde e os fatores de risco de cada uma, exames farão parte dessa avaliação para investigar a saúde óssea, metabólica e cardiovascular.
Além dos exames, a avaliação também inclui aspectos relacionados à alimentação, à prática de atividade física, ao sono, ao tabagismo e ao consumo de álcool. A partir desse conjunto de informações, é possível identificar se há algo que precisa ser melhorado e, quando necessário, pensar em ajustes adequados às necessidades de cada mulher.
Conclusão
A menopausa é uma fase natural da vida, mas isso não significa que sintomas que incomodam ou afetam a qualidade de vida precisem simplesmente ser tolerados. Cada mulher vive essa transição de uma forma diferente, e entender o que está acontecendo é o primeiro passo para decidir quais cuidados podem ser importantes nessa fase.
A avaliação não se limita a decidir se existe ou não indicação de Terapia Hormonal. Além de compreender as possíveis causas dos sintomas, esse também é um momento para avaliar de forma mais ampla a saúde da mulher e identificar cuidados que possam ser importantes para os próximos anos.
Não é necessário esperar que os sintomas se tornem intensos para procurar avaliação.
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Dra. Daniela Marques Atkinson
Médica Endocrinologista e Metabologista – CRM 28824 | RQE 21349
Especialista em saúde hormonal e metabólica da mulher
Atendimento em Lajeado/RS
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