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Por que estou ganhando peso depois dos 40 anos?

Atualizado: há 3 dias

Por volta dos 40 ou 50 anos, muitas mulheres começam a perceber mudanças no próprio corpo. O ganho de peso depois dos 40 anos é uma queixa frequente nessa fase da vida. Emagrecer pode parecer mais difícil do que antes, mesmo sem grandes mudanças na alimentação ou na rotina.


Em alguns casos, a principal queixa é o aumento do peso na balança. Em outros, o peso muda pouco, mas as roupas começam a apertar na cintura e o corpo passa a ter um formato diferente. Isso acontece porque a distribuição da gordura corporal pode se modificar ao longo dos anos, com maior acúmulo na região abdominal.


Isso leva a uma dúvida muito comum: será que essas mudanças podem estar relacionadas à menopausa?


O que muda no peso e no corpo depois dos 40 anos?


Se está mais difícil emagrecer do que era há alguns anos, isso não significa falta de força de vontade. Mudanças hormonais, redução de massa muscular e outros fatores podem contribuir para esse processo.


Existem vários fatores que ajudam a explicar essa mudança.


Um deles está relacionado às alterações hormonais da menopausa. A redução do estrogênio favorece uma mudança na distribuição da gordura corporal, com maior acúmulo na região abdominal, especialmente da chamada gordura visceral, que fica ao redor dos órgãos internos.


Essa gordura não é apenas um depósito de energia. O aumento da gordura visceral está associado a alterações metabólicas, entre elas uma maior resistência à insulina.


Ao mesmo tempo, o aumento do peso que muitas mulheres percebem nessa fase não é explicado apenas pela menopausa. O envelhecimento também está associado a mudanças na composição corporal e no gasto de energia. A partir da terceira década de vida já ocorre uma perda gradual de massa muscular, que tende a se tornar mais evidente com o passar dos anos, especialmente em pessoas sedentárias.


Como a massa muscular participa do gasto energético do organismo, sua redução é um dos fatores que podem contribuir para mudanças no gasto de energia ao longo dos anos.


Além disso, fatores como alimentação, atividade física, qualidade do sono, estresse, uso de medicamentos e predisposição genética também influenciam o peso corporal.


Por isso, muitas mulheres percebem que ficou mais difícil manter o peso ou emagrecer da mesma forma que conseguiam anos antes.


O ganho de peso nessa fase não é simplesmente uma questão de disciplina. Diferentes mudanças no organismo e no estilo de vida podem estar acontecendo ao mesmo tempo.

Por que a barriga aumenta na menopausa?


Antes da menopausa, a gordura corporal costuma se distribuir mais em quadris e coxas.


Com a redução do estrogênio, esse padrão pode se modificar, favorecendo uma maior concentração de gordura na região abdominal.


Por isso, muitas mulheres percebem que as roupas ficam mais apertadas na cintura, mesmo sem grandes alterações no peso.


Essa gordura abdominal não representa apenas uma questão estética. Ela está associada a maior risco de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alterações do colesterol e doenças cardiovasculares.


Mais do que uma questão estética, o aumento da gordura abdominal está relacionado à saúde metabólica. Por isso, entender os fatores envolvidos nessas mudanças também é importante para cuidar da saúde nessa fase da vida.


O que ajuda a controlar o peso nessa fase?


Se você percebeu que seu corpo mudou nessa fase ou que emagrecer ficou mais difícil, isso não significa que precise simplesmente aceitar essas mudanças ou tentar resolvê-las sozinha. Entender quais fatores estão contribuindo para o ganho de peso é importante para definir quais estratégias realmente fazem sentido para você.


Dependendo de cada caso, as estratégias podem incluir:


  • Consumo adequado de proteínas para ajudar a preservar a massa muscular.

  • Exercícios de força, como musculação ou treinamento resistido, para preservar ou recuperar massa muscular.

  • Sono de boa qualidade.

  • Alimentação baseada em alimentos minimamente processados.

  • Controle do estresse.

  • Avaliação médica para investigar condições de saúde e alterações metabólicas que podem estar presentes e contribuir para a definição do tratamento, como hipotireoidismo, apneia do sono e resistência à insulina.


Quando existe obesidade ou sobrepeso associado a determinadas condições de saúde, o tratamento medicamentoso também pode fazer parte da estratégia. A indicação depende de uma avaliação individualizada e não significa que a mulher tenha falhado em emagrecer apenas com mudanças no estilo de vida.


Qual o papel da terapia hormonal?


A terapia hormonal não é um tratamento para emagrecer. Quando existe indicação para tratar sintomas da menopausa, porém, ela pode melhorar sintomas como ondas de calor e alterações do sono, além da qualidade de vida.


A terapia hormonal também pode atenuar algumas das mudanças na distribuição da gordura corporal que ocorrem com a menopausa, embora não deva ser indicada com esse objetivo.


Por isso, a necessidade de tratamento dos sintomas da menopausa deve ser avaliada considerando o quanto  o impacto desses sintomas na qualidade de vida, além da fase da menopausa, do histórico de saúde e dos potenciais benefícios e riscos para cada mulher.


Conclusão


As mudanças que muitas mulheres percebem no peso e no corpo depois dos 40 anos são reais. A menopausa pode contribuir especialmente para uma maior concentração de gordura na região abdominal, enquanto o envelhecimento, a perda de massa muscular, o sono, a alimentação, a atividade física e outros fatores também podem influenciar o peso nessa fase.


Se essas mudanças estiverem acontecendo junto com alterações menstruais, ondas de calor, suores noturnos, piora do sono ou outros sintomas da transição para a menopausa, vale a pena investigar se as mudanças hormonais dessa fase estão participando do que você está sentindo.


E mesmo quando a menopausa não é a única explicação, ganhar peso ou ter uma dificuldade crescente para emagrecer não significa falta de disciplina. Essas mudanças também são um motivo válido para procurar avaliação e entender se existe necessidade de tratamento.


Uma avaliação endocrinológica pode ajudar a entender os diferentes fatores envolvidos e definir quais estratégias fazem sentido para você. Dependendo de cada caso, isso pode envolver o tratamento dos sintomas da menopausa, o tratamento da obesidade ou de outras condições identificadas durante a avaliação.


Se você está passando por essa fase e gostaria de uma avaliação individualizada, clique abaixo para agendar sua consulta.



Dra. Daniela Marques Atkinson

Médica Endocrinologista e Metabologista

CRM 28824 | RQE 21349

Especialista em saúde hormonal e metabólica

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